O Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía da Ilha Grande (CBH-BIG) participou, nesta segunda-feira (25), de webinar sobre a construção do Plano Estadual de Segurança Hídrica e a atualização do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI-RJ). O encontro reuniu representantes de comitês de bacia, especialistas e integrantes do poder público para discutir estratégias voltadas à segurança hídrica no estado do Rio de Janeiro.
Durante a reunião, foram apresentados os objetivos do convênio firmado entre o Governo do Estado e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento técnico do projeto. Com duração prevista de 33 meses e investimento de R$ 2,8 milhões, o trabalho contempla três frentes principais: o Plano Estadual de Segurança Hídrica, a atualização do PERHI-RJ.
Ao longo do webinar, os participantes destacaram a necessidade de ampliar o modelo tradicional de gestão hídrica, incorporando análises de risco, adaptação às mudanças climáticas e estratégias de resiliência das infraestruturas de abastecimento.
A região da Baía da Ilha Grande foi apontada como uma das áreas mais vulneráveis do estado, convivendo tanto com episódios extremos de chuva quanto com períodos recorrentes de escassez hídrica. Durante o debate, lideranças locais citaram situações críticas em comunidades tradicionais, como Pouso da Cajaíba e Ponta da Joatinga.
“Esse processo só será efetivo com diálogo permanente entre estado, municípios, comitês de bacia e comunidades locais. A construção coletiva é fundamental para que o plano reflita as realidades do território e avance de forma integrada”, destacou Tito Cals, diretor-presidente do CBH-BIG.
O plano estadual será estruturado em três pilares: oferta hídrica, qualidade ambiental e gestão de riscos associados à água. Entre os temas debatidos estão conservação ambiental, controle da poluição, soluções baseadas na natureza e prevenção de acidentes relacionados ao abastecimento.
O CBH-BIG reforçou, durante a reunião, a importância de incluir vulnerabilidades locais no diagnóstico estadual, garantindo que as especificidades dos territórios sejam consideradas no planejamento. Os comitês de bacia terão até o fim de julho ou início de agosto para encaminhar contribuições com pontos prioritários e áreas críticas de abastecimento. Também foram discutidas a necessidade de articulação entre municípios, órgãos estaduais e Ministério Público e a importância da atualização dos planos diretores municipais diante dos impactos do crescimento urbano desordenado em cidades como Angra dos Reis e Paraty.
Outro tema abordado foi a integração com estados vizinhos e com a Agência Nacional de Águas (ANA) em bacias compartilhadas, como a do Rio Mambucaba, que possui nascente em São Paulo.
Ao final do encontro, os participantes destacaram que a construção do plano deverá considerar as particularidades sociais, culturais e territoriais das regiões atendidas, incluindo comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras.