Comitê que atua em Angra, Paraty e Rio Claro participa de encontro estadual e discute soluções para saneamento e gestão da água A pressão do turismo sobre os recursos hídricos da Baía da Ilha Grande, especialmente em períodos de alta temporada, tem acendido um alerta entre gestores e especialistas da região. Em cidades como Angra dos Reis e Paraty, a população pode mais que dobrar em determinados períodos, ampliando significativamente a demanda por água e os desafios de saneamento.
Em meio a esse cenário, o Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía da Ilha Grande (CBH- BIG) participou do XII Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas do Rio de Janeiro (ECOB/RJ), realizado entre os dias 13 e 16 de abril, em Miguel Pereira, com foco em soluções que integrem desenvolvimento econômico e preservação ambiental. O encontro, promovido pelo Fórum Fluminense de Comitês de Bacias Hidrográficas (FFCBH), reuniu representantes dos nove comitês do estado, além de especialistas, pesquisadores e integrantes do poder público e da sociedade civil. Com o tema "Turismo Sustentável de Base Comunitária como Instrumento de Regeneração Socioeconômica e Ambiental", o evento colocou em pauta desafios diretamente relacionados à realidade de municípios como Angra dos Reis e Paraty.
Na avaliação do CBH-BIG, o avanço do turismo sem infraestrutura proporcional de saneamento e gestão da água pode agravar problemas já existentes na região - especialmente em áreas que não são atendidas por rede de esgoto tradicional e dependem de soluções alternativas. A região também conta com diversos sistemas descentralizados de captação e distribuição de água, o que torna a gestão ainda mais complexa.
Durante o encontro, representantes do comitê participaram de discussões estratégicas sobre soluções baseadas na natureza, como captação de água de chuva e saneamento rural, além de iniciativas como a tecnologia social "Bacia Escola" e debates sobre economia azul e gestão integrada de recursos hídricos.
Segundo o diretor-presidente do CBH-BIG, Tito Cals, o intercâmbio entre os comitês ajuda a acelerar respostas para desafios que já são concretos no território. "A troca entre os comitês é fundamental para avançarmos em soluções aplicáveis. No caso da Baía da Ilha Grande, estamos lidando com uma pressão crescente sobre os recursos naturais, e isso exige planejamento, investimento e coordenação entre diferentes atores", afirma.
Para especialistas presentes, o desafio da região passa por equilibrar vocação turística com capacidade de suporte ambiental, considerando as especificidades locais e participação das comunidades no desenvolvimento das soluções. A perspectiva das comunidades tradicionais também ganhou espaço no debate. "Já existe turismo de aventura, turismo sustentável, mas muitas vezes esse recurso não fica no território. Agente precisa garantir que o desenvolvimento chegue de fato às comunidades, respeitando quem vive ali e preservando o que temos", afirma Danielle Elias, mulher preta, quilombola, agricultora e presidente da associação local.
O ECOB/RJ contou com oficinas, painéis e atividades de capacitação e é considerado um dos principais fóruns de articulação sobre gestão hídrica no estado.