Balanço Hídrico
O conhecimento dos processos hidrológicos de uma bacia hidrográfica é essencial para o direcionamento das ações da gestão de recursos hídricos relacionadas ao uso da água. O balanço hídrico pode ser entendido como a contabilização das entradas e saídas de água de um determinado espaço. O balanço pode ser calculado para uma camada do solo, um trecho de rio ou para uma bacia hidrográfica. A bacia hidrográfica é um espaço adequado para avaliação do comportamento hídrico pois tem bem definidas as localizações geográficas das entradas e das saídas. O entendimento do balanço hídrico depende de vários fatores como conhecimento do ciclo hidrológico (precipitação, escoamento superficial, evapotranspiração, infiltração), variáveis climáticas, condições do solo e sua utilização, hidrogeologia da bacia, usos da água existentes, entre outros. O balanço hídrico mais recente contabilizado para a Região Hidrográfica I - Baía da Ilha Grande foi realizado quando da elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Região Hidrográfica da Baía da Ilha Grande (PRH-BIG), em novembro de 2019, em seu Relatório do Balanço Hídrico - RD09. O documento contempla ambos os balanços quantitativo e qualitativo.

Balanço hídrico quantitativo
O algoritmo do balanço hídrico quantitativo foi desenvolvido utilizando o conceito das “ottobacias” idealizado pelo Eng. Otto Pfafestetter, dotando cada “ottobacia” de seus dados de demanda, retorno, vazões remanescentes dos dois trechos anteriores ao nó em análise e do acréscimo de vazão nos limites da “ottobacia” em referência. Desta forma, foi possível calcular o balanço em cada trecho de Rio codificado na bacia hidrográfica, mediante seleção das “ottobacias” a montante do trecho em destaque e aplicando o cálculo do somatório das vazões remanescentes dos trechos de montante, acrescido da produção de vazão do trecho, diminuído das demandas e somados aos retornos. A base para o cálculo das vazões produzidas em cada trecho de rio foi a vazão de referência Q95, desenvolvida pela CPRM através da regionalização de vazões. O balanço hídrico quantitativo para cada trecho foi representado por meio do Índice de Disponibilidade Hídrica (IUD), obtido dividindo–se a demanda pela disponibilidade hídrica no início do trecho em estudo, sendo a disponibilidade igual ao somatório das vazões remanescentes dos dois trechos a montante, acrescido da vazão incremental do trecho, ou seja:



Balanço hídrico qualitativo
Com o processamento do algoritmo do balanço hídrico quantitativo e de posse dos cálculos das vazões necessárias para diluição de cargas de esgoto domésticos, o balanço qualitativo identificou os locais com disponibilidade hídrica insuficiente para atender a diluição dessas cargas. O Índice de Qualidade das Águas (IDQ), que é obtido dividindo-se a Vazão de Diluição pela Disponibilidade Hídrica de cada trecho de rio, é o indicador das regiões onde a qualidade das águas fica comprometida por não atender a requisição da vazão de diluição no local, considerando para o cálculo a vazão de referência Q95.

Região Hidrográfica I - Baía da Ilha Grande
Na área de abrangência do Comitê da Baía da Ilha Grande, a Unidade Hidrológica de Planejamento (UHP) que apresenta o resultado mais crítico é a UHP 10 - Rio do Meio (Japuíba), que possui comprometimento hídrico da ordem de 50%, considerando-se a vazão Q95, o que ocorre pela alta demanda para o abastecimento e indústria na região, uma vez que concentram os principais sistemas de abastecimento de água de Angra dos Reis, correspondente à Barragem da Banqueta e ao Rio Cabo Severino. As demais UHPs apresentam comprometimentos baixos, destacando-se a Rio Jacuecanga e Rio Jacareí, com comprometimento em torno de 10%. Em Paraty constatou-se pontos críticos ou em estado preocupante na UHP 3 - Rio Perequê-Açú. Um dos principais sistemas de captação do município, referente ao Córrego Pedra Branca, apresentou um comprometimento de 34,14% em relação à Q95%. A Região Hidrográfica I - Baía da Ilha Grande, em geral, encontra-se numa situação bastante confortável em relação ao balanço de oferta e demanda de água, salvo exceções bastante localizadas. Contudo, esses resultados devem ser observados com ressalvas frente a ocupação do solo na região.

Fonte: Plano de Recursos Hídricos do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía da Ilha Grande (PRH – BIG, PROFILL, 2019) .